Foram disponibilizados no canal da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) no YouTube os vídeos da abertura, conferências, mesas-redondas e oficinas que integraram a programação do III Encontro Estadual de Patrimônio Cultural. O evento ocorreu nos dias 5, 6 e 7 de novembro de 2025, no Centro Integrado de Cultura (CIC) em Florianópolis (SC).
O Encontro teve o objetivo de estimular, fortalecer vínculos, parcerias e redes de colaboração. Reuniu gestores públicos, profissionais, estudiosos e demais interessados que atuam com o patrimônio cultural, em especial o catarinense. Promoveu a troca e disseminação de conhecimentos especializados, bem como a realização de debates construtivos.
Participaram do evento integrantes de 62 instituições públicas e privadas, bem como o público em geral, com pessoas vindas de 31 municípios catarinenses, além de conferencistas, palestrantes e oficineiras dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Maranhão, Distrito Federal e Açores/Portugal.
DIA 5/11/2025 - ABERTURA

As atividades do Encontro iniciaram no Cinema Gilberto Gerlach do Centro Integrado de Cultura (CIC), com a cerimônia de abertura, que ocorreu às 18h. O momento contou com discursos de boas vindas da Presidente da FCC, Maria Teresinha Debatin, e demais autoridades presentes.
CONFERÊNCIA DE ABERTURA
A cerimônia de abertura do evento foi seguida, às 18h30, pela conferência proferida por Hermano F. O. Guanais e Queiroz, Superintendente do Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Cultural (IPHAN) na Bahia. A Conferência foi intitulada: “Tecendo Memórias, tecendo Direitos: A Trama (In)Visível do Direito Ao(Do) Patrimônio Cultural”
Após a Conferência de Abertura, o evento teve um momento de confraternização com a apresentação cultural realizada pelo Grupo Ação Zumbi.
DIA 6/11/2025 - MESAS REDONDAS
O segundo dia do evento foi dedicado à realização de mesas redondas, compostas por especialistas, que após apresentarem suas falas, passaram a responder às perguntas do público e a debater.
Mesa 1 - A Pluralidade do Patrimônio Cultural em Santa Catarina
A busca por ampliar a compreensão do estado de Santa Catarina como território de expressões culturais plurais e diversas, com milhares de anos de ocupação humana e rico em bens naturais, que geram variadas formas de patrimônios, é fundamental para elencar o que é necessário, e mesmo urgente, identificar, reconhecer e valorizar. A mesa objetivou refletir sobre esses tópicos para que se construam políticas para o patrimônio cultural historicamente abrangentes e equitativas.
Integraram a mesa redonda
Daniela Pistorello - Professora da Unoesc e pesquisadora do Patrimônio Cultural Industrial.
Miriam Carbonera - Professora da Unochapecó, responsável pelo Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM), pesquisadora de arqueologia, história e patrimônio cultural.
Patrícia de Oliveira Areas - Professora da Univille e no Programa de Pós-graduação em Patrimônio Cultural e Sociedade da instituição, pesquisadora da área do patrimônio cultural.
A mesa foi mediada por Lisandra Barbosa Macedo Pinheiro, historiadora e servidora da Diretoria de Patrimônio Cultural da FCC.
Mesa 2 - Qual o Valor do Patrimônio Cultural?
O que perdemos quando um bem cultural é destruído? É possível recuperar ou compensar seu desaparecimento? Como equacionar valor financeiro com valores sociais, históricos, artísticos, para construir instrumentos de valoração que possam ser aplicados pelos profissionais que trabalham com patrimônios diversos. Esta mesa-redonda teve como objetivo desenvolver diferentes perspectivas sobre os valores atribuídos aos bens culturais, como forma de compreender sua importância, seu reconhecimento social e a necessidade de sua proteção.
Integraram a mesa redonda
Lilian Mendonça - Arquiteta especialista em Gestão do Patrimônio Cultural Integrado ao Planejamento Urbano da América Latina – Cátedra UNESCO / CECI / UFPE.
Regina Helena Meirelles Santiago - Historiadora, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Santa Catarina.
Simone Harger - Arquiteta restauradora, produtora cultural e consultora na área do patrimônio cultural.
A mesa foi mediada por Fábio Richter, historiador e servidor da Diretoria de Patrimônio Cultural da FCC
Mesa 3 - Instrumentos de Proteção ao Patrimônio Cultural: O Que Temos, o Que Precisamos.
A ampliação do conceito de patrimônio cultural, o surgimento de novas formas de acautelamento, e o olhar para a preservação nos museus do patrimônio museológico, trouxeram desafios, possibilidades e preocupações para as instituições responsáveis e agentes envolvidos. Os atuais instrumentos jurídicos muitas vezes não alcançam essas mudanças, carecendo de atualizações e/ou regulamentações para que possam atender tanto aos órgãos de preservação e instituições de guarda, como à população afetada. A mesa teve o intuito de trazer essas lacunas em debate.
Integraram a mesa redonda
Carolina Dal ben Padua - Arquiteta e Urbanista, servidora do Iphan atuando na Coordenação-Geral de Identificação e Reconhecimento do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização.
Fábio Guimarães Rolim - Arquiteto e Urbanista, servidor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/Iphan, cedido ao Instituto Brasileiro de Museus/Ibram, onde chefia a Divisão de Fiscalização Museal, na Coordenação de Gestão de Riscos e Fiscalização Museal-Departamento de Processos Museais.
Rodrigo Rosa - Analista Técnico Cultural/Historiador e gerente de patrimônio cultural imaterial da FCC.
A mesa foi mediada por Karen Kremer, conservadora, restauradora e servidora do Ateliê de Conservação de Bens Culturais Móveis (Atecor), da Diretoria de Patrimônio Cultural da FCC
Mesa 4 - O Papel dos Municípios na Proteção ao Patrimônio Cultural
Para que o patrimônio cultural seja preservado, Estado e a sociedade civil devem estar em diálogo na sua proteção e todas as esferas do poder público devem trabalhar em colaboração. O município, entretanto, é a esfera responsável pelo planejamento urbano e a mais próxima aos bens culturais e aos atores para quem reverbera o resultado da implementação das políticas públicas. A mesa trouxe experiências, reflexões e desafios da gestão municipal do patrimônio cultural.
Integraram a mesa redonda
Roselaine Vinhas - Consultora e Assessora Cultural, atua diretamente com políticas públicas estruturantes e de fomento para a área de cultura.
Kátia Bogéa - Historiadora, dirige a Fundação Municipal de Patrimônio Histórico de São Luís/MA, atuando na recuperação de bens edificados, salvaguarda de bens imateriais, ações educativas e de promoção do Patrimônio Cultural.
Lélia Pereira Nunes - Socióloga, presidente da Academia Catarinense de Letras, integrante do Conselho Estadual de Cultura e Diretora de Patrimônio Cultural da FCC, órgão responsável pelo patrimônio catarinense.
A mesa foi mediada por Edina De Marco, analista cultural e servidora da Diretoria de Patrimônio Cultural da FCC
DIA 7/11/2025 - OFICINAS
No terceiro dia do evento, foram realizadas oficinas temáticas para promover a capacitação dos participantes em áreas de grande demanda no patrimônio cultural catarinense.
OFICINA 1 - ELABORAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL
Local: Cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC)
Períodos: 08h30 às 12h30 – 14h às 16h
Temas abordados na oficina: Políticas públicas e marcos regulatórios de fomento à cultura e ao patrimônio. Definição e estrutura básica de um projeto (apresentação, objetivos, justificativa, público beneficiado). Demonstração de planilha físico-financeira, etapas de cronograma físico-financeiro e orçamento detalhado. Fontes de recursos. Exemplos de projetos aprovados e executados pelas leis de incentivo e editais.
A oficina foi desenvolvida por Maria Teresa Lira Collares.
OFICINA 2 - EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Local: Sala Multimídia do Museu da Imagem e do Som (MIS)
Períodos: 08h30 às 12h30 – 14h às 16h
Temas abordados na oficina: Educação Patrimonial como um processo de ensino-aprendizagem no qual o patrimônio cultural é utilizado como meio para suscitar reflexões e práticas relacionadas à cidadania, direito à cidade e direitos epistêmicos. Discussão dos conceitos e diretrizes da Educação Patrimonial e Inventário Participativo. Debates aproximando da prática laboral aos conceitos ressonância, categorias e valoração do patrimônio cultural.
A oficina foi desenvolvida por Carla Ferreira Cruz.
OFICINA 3 - OFICINA DE CONSERVAÇÃO DE ACERVO EM PAPEL
Local: Sala 2 das oficinas de arte no Centro Integrado de Cultura (CIC).
Períodos: 08h30 às 12h30 – 14h às 16h
Parte teórica abordada: História do papel; agentes agressores do papel; conservação preventiva; a Higienização como Procedimento de Conservação; acondicionamento: função e escolha do material. Parte prática desenvolvida: Confecção de envelope em cruz; e confecção de caixa em cruz.
A oficina foi desenvolvida por Maria Lúcia Ricardo Souto.
:: Assista ao vídeo sobre as oficinas
CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO
O Encontro foi finalizado com uma conferência, iniciada às 17 horas, proferida pela professora Doutora Assunção Melo, da Universidade dos Açores em Portugal. A Conferência foi intitulada: “Valorização do Patrimônio como Legado da Preservação da Identidade do Lugar”.