A partir do dia 18 de março, às 19h, o Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), espaço administrado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) no Centro Integrado de Cultura (CIC), recebe duas novas exposições que dialogam ao explorar diferentes formas de olhar para Florianópolis: "Entre o tecido urbano e as imaginações costeiras", com curadoria de Kamilla Nunes; e "Da Potência imagética da Cidade", com curadoria de Maria Helena Barbosa. Ambas as mostras têm visitação gratuita e seguem abertas até o dia 27 de setembro de 2026.
"Entre o tecido urbano e as imaginações costeiras"
A exposição apresenta vídeos que documentam três ações artísticas realizadas em Florianópolis entre 2024 e 2025 pelos grupos Impossibilidade de Esgotamento e Desvio, idealizados e coordenados pela curadora Kamilla Nunes. As obras revelam experiências que investigam a cidade e a paisagem litorânea como campos de experimentação artística, propondo intervenções sutis no espaço público e no cotidiano.
A ação “Imaginações Costeiras” transformou a praia do Pântano do Sul em uma superfície expositiva provisória. Por meio de lambe-lambes, suportes frágeis e gestos mínimos, os artistas estabeleceram uma relação direta com a planície costeira, ativando o espaço da praia como lugar de experimentação e encontro entre arte, território e natureza.
Já “Infiltração” aconteceu como uma caminhada coletiva pelo centro de Florianópolis, funcionando como o segundo ato de uma proposição iniciada em Laguna. Partindo da observação das pausas, aglomerações e escutas que atravessam diariamente a cidade, o grupo realizou pequenas intervenções no tecido urbano. As ações surgiram como infiltrações discretas que tensionam arquitetura, memória e vida cotidiana, revelando outras formas de habitar e perceber o espaço urbano.
A terceira ação, “Estar aqui de paisagem”, teve como cenário a praia da Joaquina. O processo artístico partiu da ideia de que “estar aqui” também significa tornar-se paisagem de si mesmo. No encontro com o outro, os participantes criaram espaços de potência e experimentação, territórios simbólicos onde o chão é instável, e justamente por isso fértil para o surgimento do novo. Nessa perspectiva, a paisagem aparece como lugar de resistência, fuga das formas rígidas e abertura para o pensamento em movimento.
Ao reunir os registros dessas três experiências, a exposição convida o público a refletir sobre a arte como prática de deslocamento e sensibilidade, capaz de ativar paisagens, percursos e encontros inesperados entre corpo, cidade e natureza.
"Da Potência imagética da Cidade"
A nova exposição convida o público a redescobrir Florianópolis a partir das obras do acervo do MASC, reunindo trabalhos de artistas de diferentes gerações que têm a cidade como tema, cenário ou inspiração para suas criações.
Com mais de 2 mil obras em sua coleção, a maior parte delas disponíveis para consulta online, o MASC reafirma, com esta exposição, seu compromisso de tornar o acervo acessível ao público e de valorizar esse patrimônio artístico-cultural. A iniciativa também busca aproximar visitantes das artes visuais e promover o diálogo entre produções modernas e contemporâneas.
A realização da mostra acontece em um ano simbólico para a cidade e para o Museu. Em 2026, são celebrados os 77 anos de criação oficial do MASC, fundado em 1949; os 353 anos de Florianópolis; e o centenário da Ponte Hercílio Luz, inaugurada em 1926. Nesse contexto, exposição traz um recorte especial do acervo, com obras que exploram diferentes aspectos da capital catarinense.
A curadoria revisita também seleções apresentadas em edições anteriores da exposição "Florianópolis através da arte", organizadas por Jayro Schmidt em 2003 e 2016, além de dialogar com a pesquisa da professora e crítica de arte Sandra Makowiecky sobre a representação da cidade nas artes visuais.
O resultado é um conjunto de trabalhos que revela múltiplas formas de olhar para Florianópolis ao longo do tempo. Em pinturas, gravuras, fotografias e outras linguagens, os artistas expressam experiências de viver, sentir e imaginar a cidade - seja exaltando suas paisagens, seja refletindo sobre suas transformações e contradições.
Mais do que retratar um lugar, a exposição propõe um encontro entre memória, arte e cotidiano, mostrando como a cidade continua a inspirar novas interpretações e sensibilidades.
Serviço:
O quê: Exposições "Entre o tecido urbano e as imaginações costeiras" e "Da Potência imagética da Cidade"
Abertura: 18/3/2026, às 19h.
Visitação: até 27/9/2026. De terça a sexta-feira, das 10h às 21h.
Local: Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) - No Centro Integrado de Cultura (CIC)
Entrada gratuita