Da tainha no Campeche ao samba no Monte Serrat: a passagem marcante de Margareth Menezes por Florianópolis
Em agenda intensa, ministra também reuniu gestores e parlamentares na Alesc para celebrar os investimentos e a adesão total dos municípios catarinenses às políticas do MinC
Por Ani Castrellón
TÍTULO 2: Ministra Margareth Menezes cumpre agenda em SC e destaca o fortalecimento das políticas culturais
Com a agenda cheia, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, chegou a Florianópolis para marcar sua primeira visita oficial ao estado de Santa Catarina. O principal objetivo da vinda foi dialogar de perto com o setor cultural local, visando o fortalecimento das políticas públicas e a ampliação do debate entre o Governo Federal, gestores públicos, parlamentares e representantes da sociedade civil.
A comitiva iniciou as agendas pelo Centro Cultural e Rancho de pesca: Getúlio Manoel Inácio,, no sul da ilha. O espaço é um ponto de cultura voltado à preservação da memória da pesca artesanal da tainha e das tradições culturais da comunidade. A revitalização do local foi viabilizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), mostrando o impacto real da descentralização das verbas da cultura no estado.
Durante a visita, a ministra foi recebida pela comunidade. O ponto alto da recepção foi um almoço recheado de afeto, onde Margareth Menezes compartilhou a tradicional tainha com os moradores e pescadores locais. A ministra fez questão de destacar o bom acolhimento que recebeu em solo catarinense.
Dando sequência à agenda institucional, a ministra participou do encontro Cultura no Território - Encontro da Cultura na Alesc, realizado na Assembleia Legislativa local. O evento reuniu representantes de redes culturais, conselhos municipais e estaduais de cultura, parlamentares e gestores públicos para a apresentação das ações do Ministério da Cultura (MinC) no estado, além de promover um amplo debate sobre os desafios e perspectivas do setor cultural catarinense.
A ministra destacou a importância da articulação federativa para consolidar políticas públicas permanentes para a cultura em todo o país:
“O Brasil é de todos os brasileiros. E a gente precisa entender que fazer políticas públicas para chegar a todos e todas é acolher essa grande força humana que produz cultura.”, detalhou.
Menezes também ressaltou o volume histórico de fomento atual: “Estamos falando de bilhões injetados no setor cultural brasileiro. Há uma diferença muito grande entre um governo que acredita no povo, acredita na cultura, e um governo que não acredita”, completou.
A importância da escuta ativa e da participação social na construção dessas políticas foi enfatizada por Roberta Martins, secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC: “A cultura não pode ser enxergada como acessório. Ela é alicerce. O Sistema Nacional de Cultura precisa ser compreendido como garantia do direito à cultura de todo o povo brasileiro”, afirmou.
Na sequência, o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, celebrou o alcance dos investimentos federais na região, sublinhando que Santa Catarina alcançou a expressiva marca de 100% de adesão dos municípios às políticas culturais federais: “Os recursos da cultura não são gasto, são investimento. Cultura gera renda, gera emprego, gera saúde, gera educação e muda a vida das pessoas.”
Investimentos, reconstrução e desafios
A subsecretária de Gestão Estratégica do MinC, Letícia Schwarz, relembrou o processo de reconstrução institucional da pasta. “A gente precisava se reconectar com as pessoas, com os territórios, com os movimentos sociais, com os artistas e com o povo brasileiro. Essa conexão tinha sido perdida”, ponderou. Letícia também defendeu o caráter estável das conquistas: “A cultura não é de esquerda, não é de direita, nem é de governo. A política cultural é de Estado e a cultura é do povo.”
A necessidade de blindar e estruturar o setor a longo prazo foi endossada pelo deputado federal Pedro Uczai, relator do projeto do Plano Nacional de Cultura na Câmara dos Deputados. “O desafio é construir um verdadeiro SUS da cultura, uma política democrática, plural e diversa como política de Estado”, afirmou.
O encontro na Alesc também abriu espaço para reflexões cruciais sobre representatividade e combate à marginalização cultural. Representando os blocos afro de Florianópolis, a professora e pesquisadora Alexandra Gonçalves, a Xanda, chamou a atenção para a realidade local: “Santa Catarina ainda convive com uma invisibilidade histórica da população negra e da cultura negra. Muitas vezes, as práticas culturais negras são criminalizadas”, alertou.
A potencia e Diversidade do Monte Serrat
Encerrando a intensa agenda em solo catarinense, a ministra realizou uma visita ao Monte Serrat, tradicional comunidade da capital. A atividade foi totalmente voltada ao diálogo direto com lideranças comunitárias e representantes culturais de territórios periféricos.
O território se transformou em palco para celebrar a arte local, contando com apresentações de slam, dança com o Grupo Mittos e uma grande roda de samba liderada por músicos de destaque da cena local, como Gabriel Orosa e a cantora Elô Gonzaga. Emocionada com a energia do lugar, a própria ministra soltou a voz junto com a comunidade e cantou os versos marcantes de "Canto de Esperança", clássico do grupo Fundo de Quintal: “Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora...”.
Durante o encontro, Margareth Menezes fez uma fala contundente sobre as barreiras históricas enfrentadas pelas periferias. Ela ressaltou ter plena consciência das dificuldades que as pessoas negras e das comunidades periféricas enfrentam para acessar as políticas culturais e detalhou as ações do MinC para desburocratizar e fazer esses recursos chegarem na ponta.
A ministra sinalizou que o papel do Estado é dar suporte para que as manifestações aconteçam, pois o verdadeiro protagonismo é comunitário:
“A política existe para auxiliar o acontecimento cultural, porque quem faz a cultura é o povo”, afirmou.
Encantada com a riqueza cultural do estado, Margareth encerrou sua fala celebrando a pluralidade da nossa identidade e agradecendo pelo acolhimento:
“É uma beleza ver a diversidade de ideias, a diversidade sonora, a diversidade de comidas e de roupas que existem no nosso país. Em todo lugar tem. Então, para mi, nesta visita aqui em Santa Catarina, em Florianópolis, fiquei muito agradecida pela maneira que eu e minha equipe fomos recebidas.”
Crédito de Fotos: Comitê de Cultura
Fotos Centro Cultural e Rancho de pesca: Getúlio Manoel Inácio, por Filipe Araújo
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