O 4º Fórum Estadual dos Pontos de Cultura de Santa Catarina reuniu representantes de Pontos e Pontões de Cultura de diversas regiões do estado, gestores públicos e integrantes da Rede Cultura Viva para fortalecer a articulação em rede e debater os rumos da política cultural em Santa Catarina. O Comitê de Cultura de Santa Catarina também marcou presença no encontro, realizando a cobertura das atividades e acompanhando os debates, reafirmando seu compromisso com a comunicação, a mobilização e o fortalecimento da Política Cultura Viva no estado.

A programação teve início no hall do Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura (CIC), com a apresentação da produtora cultural e palhaça, Catarina Kinas, que acolheu o público e marcou a abertura das atividades em um ambiente de encontro e celebração. Kinas também trouxe o mini teatro lambe-lambe, proporcionando ao público uma experiência intimista e poética, em pequenos formatos que aproximam artista e espectador.


Na sequência, já no interior do teatro, o público acompanhou a apresentação do Netuno Circus e do Circo Quinoa, com o espetáculo “Equilíbrio em Movimento”, que encantou a plateia com números de destreza, sensibilidade e integração entre corpo, técnica e expressão artística.


Compuseram a mesa institucional Maria Teresinha Debatin, presidenta da Fundação Catarinense de Cultura (FCC); João Pontes, diretor da Política Nacional de Cultura Viva e Leandro Anton, coordenador-geral de Articulação da Cultura Viva, ambos do Ministério da Cultura (MinC). Também participaram Leila Lopes (Porto Alegre/RS), Letícia Helena e Iara Odila Nunes, representantes da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, a daassim como também a deputada estadual Luciane Carminatti, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).


A composição da mesa evidenciou a articulação entre as esferas estadual e nacional da Cultura Viva, reafirmando a importância do diálogo institucional e da cooperação entre governo e sociedade civil para o fortalecimento das políticas públicas culturais.


Ao longo do encontro, foram debatidos os desafios e as perspectivas da Política Nacional de Cultura Viva, a consolidação da Rede Cultura Viva no estado, os mecanismos de financiamento, a formação e o papel estratégico dos Pontos de Cultura na promoção da cidadania cultural. As falas destacaram a necessidade de ampliar a participação social e garantir continuidade às ações estruturantes da política.


O Fórum também foi espaço de escuta e troca de experiências entre os territórios, reafirmando o protagonismo das comunidades na construção de políticas culturais democráticas, inclusivas e conectadas às realidades locais.


Após a leitura e aprovação do regimento interno do Fórum, teve início a atividade lúdica na Sala Especial Cultura Infâncias, espaço estruturado para acolher as crianças em um ambiente seguro, criativo e voltado à expressão artística ao longo do evento.


A apresentação “Rap - Racismo Estrutural”, do Pontão Cria, foi interpretada pelo artista V Negão, trazendo uma reflexão contundente sobre as desigualdades raciais em Santa Catarina. A performance evidenciou os impactos do racismo estrutural na vida da juventude negra e reafirmou a cultura como instrumento de consciência crítica, resistência e transformação social.


Na roda de conversa “Rumo à Teia Nacional”, representantes de comunidades de matriz africana também denunciaram o racismo estrutural e o racismo religioso, evidenciando a urgência de políticas culturais mais inclusivas, equitativas e comprometidas com a garantia de direitos e o respeito à diversidade religiosa e cultural.


O dia foi encerrado com a potência da cultura popular tomando conta do espaço. A apresentação da bateria do Bloco Baiacu de Alguem, representando o Ponto de Cultura Pescadores de Cultura, levou ritmo, identidade e a força dos territórios ao público.

Segundo dia: deliberação, propostas e eleição da delegação


A programação do dia 25 iniciou com a apresentação “Déo Lembá e a Árvore Sagrada”, da Escola Cultural Casa Arvore, em um clima de leveza e conexão com saberes ancestrais.


As atividades do GT Cultura Infâncias tiveram continuidade com a realização da roda brincante e a construção coletiva do painel “Cultura, Infâncias e Natureza”. O resultado foi apresentado em meio às performances individuais das crianças participantes, com música, expressões artísticas e muita sensibilidade. O momento reafirmou a certeza de que as crianças devem e podem ser acolhidas nos diversos espaços de participação cultural, fortalecendo o compromisso do Fórum com a escuta ativa, o protagonismo infantil e a garantia de seus direitos culturais.


Simultaneamente, a roda de conversa “Entre Pontos Catarina, pela Justiça Climática” contou com a participação de Letícia Helena, integrante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e da Amorabi, e de Gilson Máximo, do Pontão Catarina, ampliando o debate sobre território, meio ambiente e o papel da Cultura Viva frente à crise climática. 


Os participantes se dividiram em plenárias organizadas em três eixos estratégicos: 1)Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos 10 anos; 2) Governança da Política Nacional de Cultura Viva; e 3) Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística. Os grupos aprofundaram propostas, avaliaram desafios e sistematizaram encaminhamentos que serão apresentados na etapa nacional.


No período da tarde, a apresentação: “Flautas no Mundo”, de Eduardo Figueiro, trouxe arte, ancestralidade e a apresentação de instrumentos musicais andinos (Perú y Bolivia) para a plenária. Ocorreu ainda a eleição da delegação que representará Santa Catarina no 5º Fórum Nacional dos Pontos de Cultura.
A plenária final aprovou as propostas construídas nos eixos temáticos e aclamou oficialmente a delegação eleita, consolidando os encaminhamentos do estado para a etapa nacional, que será realizada em março, no Espírito Santo.


O encerramento foi celebrado com a apresentação “Boi Brincante: Bois de Mamão”, reunindo os Pontos de Cultura Arreda Boi, Boi do Porto, Quero Ver Meu Boi Brincar, Boi Criança e convidados. O momento contou ainda com a participação especial de Márcia Regina Nascimento, do Ponto de Cultura Templo Espiritual Amigos de Fé (TEAF), que emocionou o público ao cantar: “Ecoou um Canto Forte na Senzala”, canto de raiz afro-brasileira que remete à resistência, à ancestralidade e à memória dos povos negros. Márcia também interpretou “Povoada”, de Sued Nunes, ampliando a atmosfera de espiritualidade e celebração coletiva e reafirmando a força da cultura de matriz africana como expressão de fé, identidade e resistência.

O 4º Fórum Estadual reafirma a Cultura Viva como política pública construída a partir dos territórios, da diversidade cultural e da participação social, fortalecendo a rede em Santa Catarina e projetando seus debates para o cenário nacional.