Encontro Multicultural Latino-americano homenageou Julieta Hernández e celebrou os 20 anos do Cultura Viva em Florianópolis
Evento reuniu artistas latino-americanos, promoveu debate sobre políticas culturais e destacou programação com intervenção artística de Ini Anaguano e show da venezuelana Grendell Hernández
Sobre o evento
No dia 20 de julho de 2024, Florianópolis foi palco do Encontro Multicultural Latino - Americano: Roda de Conversa 20 Anos do Cultura Viva, realizado na sede da Associação Cultural Baiacu de Alguém, no bairro Santo Antônio de Lisboa.
Construído de forma coletiva entre a Baiacu de Alguém, a Sawubona e a Livraria Latinas, o encontro reuniu artistas, migrantes e agentes culturais em uma celebração da diversidade latino-americana, promovendo um espaço de encontro entre diferentes trajetórias, linguagens e experiências.
Mais do que uma programação artística, o evento se configurou como um território de escuta e pertencimento. Em meio a processos de deslocamento e reinserção, a possibilidade de existir culturalmente ganhou centralidade, com a arte atuando como memória, afeto e construção coletiva.
Com a presença de 14 participantes, o encontro reuniu representantes de áreas como Cultura Afro, Cultura Digital, Cultura dos Povos Indígenas, Cultura LGBTQIAPN+, Cultura Popular, Humanidades, Música e Patrimônio Cultural Material e Imaterial.
A programação teve como eixo central a roda de conversa em celebração aos 20 anos do Programa Cultura Viva. Durante a atividade, foi realizado um debate que resgatou o histórico dos 20 anos do Cultura Viva, incluindo a implantação dos Pontos e Pontões de Cultura em Santa Catarina. Também foram apresentadas informações sobre o mapa cultural e o processo de reconhecimento dos Pontos de Cultura, despertando o interesse de participantes em iniciar esse processo.
O encontro também abordou os desafios enfrentados no campo cultural em Florianópolis, além das perspectivas de novos editais, reforçando a importância da articulação entre agentes culturais e políticas públicas.
Ao longo do dia, a programação artística reuniu diferentes linguagens, compondo um mosaico cultural latino-americano. Um dos destaques foi o show da artista e cantora venezuelana Grendell Hernández, que se apresentou em formato de trio musical com repertório de músicas da Venezuela e do Caribe. Também integraram a programação os shows de Lizz Moraes e banda e do grupo Amigos do Tempo.
Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a homenagem à artista venezuelana Julieta Hernández, conhecida como a palhaça Jujuba, assassinada enquanto retornava de bicicleta à Venezuela. Sua memória foi honrada por meio de uma intervenção do artista equatoriano Ini Anaguano, que desenhou sua imagem no chão utilizando uma técnica com giz, criando uma obra de forte impacto simbólico e emocional.
Entre os destaques, a instalação “Pequenos (grandes) Prazeres iMigrantes”, da artista venezuelana Beatriz Afonso Santos, em colaboração com Adel Alloush, da Síria, propôs uma experiência multissensorial ao reunir frases de imigrantes e refugiados sobre seus sentires no Brasil. A obra integrou escultura, fotografia, colagem e madeira reaproveitada, convidando o público à interação direta.
A presença de mulheres artistas também marcou o encontro, como a venezuelana Sahiret Santucci, que apresentou a exposição “Estados”, refletindo sobre identidade, deslocamento e transformação ao longo da vida.
Para a comunidade migrante, iniciativas como essa representam mais do que expressão artística. “São formas de construir pertencimento, memória e redes de apoio. Em contextos de deslocamento, a cultura se afirma como ferramenta fundamental para a saúde mental e para a criação de vínculos sociais”, afirma Ani Castrellón, coordenadora do Ponto de Cultura Sawubona.
Segundo ela, a atuação da organização se dá justamente na criação desses espaços. “Promovemos encontros onde a diversidade não apenas é acolhida, mas reconhecida como potência, contribuindo para a inclusão e o fortalecimento de comunidades migrantes”, completa.
Mais do que um evento, o encontro se consolidou como um espaço de afirmação cultural e coletiva — onde memória, arte e território se cruzam como formas de existência e resistência.
Programação
A programação ainda não foi definida. Em breve publicaremos os detalhes das atividades.
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