Blocos de rua se organizam para reivindicar espaço no carnaval de Florianópolis
Encontro debateu a falta de consulta no planejamento do carnaval da cidade e fortaleceu a organização coletiva como estratégia de incidência política, acesso a recursos públicos, mapeamento dos blocos e construção de um carnaval mais participativo e inclusivo
Sobre o evento
No dia 24 de janeiro, o Espaço Cultural Baiacu de Alguém, em Florianópolis, foi palco do Encontro de Articulação e Roda de Conversa com os Blocos de Rua da cidade. A iniciativa reuniu representantes dos blocos de carnaval de rua, agentes culturais e artistas para debater os desafios, as perspectivas e os caminhos para o fortalecimento do carnaval popular como expressão da cultura e da participação social, diante das denúncias realizadas pelos blocos sobre a falta de consulta e participação no planejamento do carnaval da cidade.
A ação foi realizada pela Associação Cultural Baiacu de Alguém em parceria com o Comitê de Cultura de Santa Catarina, que participou ativamente do debate e das reflexões sobre políticas públicas culturais e estratégias de organização coletiva. O encontro reconheceu que, no planejamento do carnaval de Florianópolis, os blocos de rua não foram consultados nos espaços de diálogo com o poder público municipal.
O debate reuniu reflexões sobre a articulação entre os blocos de rua da cidade como resposta aos apontamentos no processo atual de organização do carnaval e como estratégia para fortalecer a representatividade coletiva do movimento. Também foram discutidas políticas públicas voltadas ao fortalecimento do carnaval popular, com destaque para o acesso aos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e para a importância da organização coletiva como instrumento de incidência política, disputa por espaço e acesso a recursos públicos.
A roda de conversa contou com a participação de diversos representantes de blocos de rua da cidade, além de lideranças culturais e representantes do Comitê de Cultura de Santa Catarina. Ao longo do encontro, foram compartilhadas experiências, desafios e propostas relacionadas à organização dos blocos, às dificuldades de acesso aos recursos públicos e à relação com o poder público municipal, especialmente no que se refere à ausência de consulta no planejamento do carnaval.
Durante o debate, Daniela Ribeiro Schneider, integrante do Comitê de Cultura de Santa Catarina, destacou a importância do mapeamento dos blocos e do diálogo permanente como caminhos para a construção de uma identidade coletiva do carnaval florianopolitano. Segundo ela, o mapeamento é uma ferramenta estratégica para dar visibilidade aos blocos, fortalecer sua legitimidade e garantir que sejam reconhecidos como sujeitos ativos na formulação das políticas culturais da cidade.
O coordenador do Comitê de Cultura de Santa Catarina, Nelson Mota, ressaltou o papel do associativismo e da união entre os blocos como estratégia essencial para o fortalecimento do movimento carnavalesco. Em sua avaliação, a organização coletiva amplia a capacidade de incidência política dos blocos e contribui para a consolidação de um carnaval de rua independente, representativo e conectado às demandas dos territórios.
Representando o Comitê de Cultura de Santa Catarina, Fernando Scherer apresentou políticas culturais que podem ser acionadas para fortalecer o carnaval de rua em Florianópolis, destacando a importância da atuação dos blocos em rede, do acesso à informação e da representação formal como meios para viabilizar a participação nos editais culturais previstos para os próximos meses e ampliar o poder de negociação dos blocos junto à Prefeitura.
Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a intervenção de João de Paula, representante do bloco ENADEV e da Associação das Pessoas com Deficiência Visual de Santa Catarina, que trouxe ao centro do debate a questão da acessibilidade. Ele chamou a atenção para o fato de que pessoas com deficiência visual ainda enfrentam barreiras para participar plenamente do carnaval, reforçando que a ampliação da participação dos blocos também passa pela construção de um carnaval verdadeiramente inclusivo.
Ao final da Roda de conversa o Comitê de Cultura de Santa Catarina e os participantes assumiram o compromisso de dar continuidade ao processo de articulação iniciado, com a realização de um mapeamento coletivo dos blocos de rua de Florianópolis e a convocação de um novo encontro ampliado. A iniciativa busca fortalecer a representatividade dos blocos, garantir que sejam considerados pela Prefeitura de Florianópolis nas decisões sobre o carnaval da cidade e assegurar participação efetiva desde as etapas iniciais de planejamento. O encontro reafirmou o carnaval de rua como um espaço legítimo de construção coletiva, disputa política, participação social e formulação de políticas culturais no território.
Dando continuidade à programação, o encontro se estendeu para as ruas do entorno da Associação Cultural Baiacu de Alguém, com a apresentação da Bateria do Baiacu de Alguém e do Bloco Cores de Aide, que realizaram um desfile celebrando o pré-carnaval e a força do carnaval de rua. O encerramento ficou por conta do grupo musical formado por Denise de Castro e Deborah Machado, reafirmando o caráter festivo, coletivo e popular do encontro, que uniu debate político, articulação cultural e celebração como expressão viva do carnaval florianopolitano.
Ani Castrellón
Fotos Felipe Maciel
Equipe de Comunicação – Comitê de Cultura de Santa Catarina
Programação
A programação ainda não foi definida. Em breve publicaremos os detalhes das atividades.
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